Arqueólogos vinculados a Universidade Federal do Piauí e a Universidade Federal do Sergipe, estão realizando uma escavação arqueológica no município de São Miguel do Tapuio, no sítio arqueológico “Furna do Urubu”, na localidade “Palmeira de Baixo”. Essas ações fazem parte de um projeto de pesquisa coordenado por Amanda Siqueira e Kallio Oliveira, que intensificaram os estudos na região a partir de 2024.
O objetivo dessas pesquisas é tentar compreender como as populações humanas de um passado remoto viviam e se relacionavam com o espaço que hoje compreende o território do município, suas relações sociais e suas dimensões culturais.
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Os sítios mais intensamente estudados até o momento, são os de contextos funerários, ou seja, eram espaços escolhidos para destinação dos entes falecidos desses grupos sociais, sendo assim, a principal fonte de informação sobre essas populações, são os seus remanescentes ósseos e os objetos que os acompanharam no momento do sepultamento.

A pesquisa tem demostrado que onde hoje é são Miguel do Tapuio, era densamente habitada por povos com uma diversidade de práticas funerais, desde enterramento usando urnas funerárias feitas de cerâmica, até práticas complexas com uso do fogo para a cremação dos corpos.
O estudo em andamento comprovou por meio de datação por carbono 14, que a região já era habitada no mínimo há 2.100 anos antes do presente. Essa data representa apenas o início de uma cronologia que está sendo sistematizada pela equipe de arqueólogos, e até o momento corresponde a datação mais antiga para o centro norte do estado do Piauí.

Os trabalhos iniciados nesse último 12 de janeiro, corresponde a terceira escavação arqueológica desses pesquisadores no município de São Miguel do Tapuio, sendo que as duas primeiras se deram no Sítio Lagoa de Cima II, uma necrópole onde predominava a cremação como procedimento mortuário.
Ao longo desse percurso investigativo, a pesquisa contou com o apoio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, especialmente nas primeiras atividades desenvolvidas no sítio Lagoa de Cima II. Neste momento, o trabalho está recebendo o apoio da Secretaria Municipal de Educação, reforçando a ligação entre pesquisa, escolas e comunidade.

O trabalho dessa equipe de pesquisadores vem identificando e dando notoriedade científica a várias grutas e abrigos naturais, muitos deles com pinturas e gravuras rupestres, além de outros vestígios deixados por povos que viveram na região em um passado distante. Esses estudos ajudam a entender como essas populações viviam e se organizavam.
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A escavação que está ocorrendo no sítio Furna do Urubu é mais uma etapa importante para valorizar a história local, preservar o patrimônio cultural e aproximar a ciência da comunidade na região. Nesse contexto, São Miguel do Tapuio se destaca regionalmente pelo grande potencial arqueológico, especialmente com sítios de arte rupestre e os de contextos funerários, locais esses que retratam parte da história de populações que já estavam no território nordestino muito antes da chegada dos colonizadores europeus.
Fonte de informações: Arqueólogo Kallio Oliveira
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Fonte: Jornalista Valter Lima | Tapuio Notícias
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