A edição 2026 da Ópera da Serra da Capivara chega ao fim neste domingo consolidando mais um capítulo na história de um dos maiores festivais de arte e cultura do país. Ao longo das quatro noites de apresentações do espetáculo ‘Cleópatra - Rainha Caatingueira’ cerca de 3,5 mil pessoas passaram pelo Anfiteatro Ancestral, na região do Parque Nacional da Serra da Capivara.
O número não inclui o público que acompanhou gratuitamente a programação da Ópera na Cidade, ampliando o alcance cultural do festival junto à população local e aos visitantes que puderam conferir o que há de mais autêntico em termos de manifestações artísticas regionais.
Mais do que os números, a edição marca um novo capítulo na história do evento por uma série de conquistas. O Ato Cleópatra apresentou uma proposta cênica inédita, tendo como destaque um palco em formato piramidal, concebido especialmente para a montagem e integrado à paisagem única da Serra da Capivara, reforçando a experiência imersiva que caracteriza o festival.
Outro marco foi a participação de crianças da comunidade quilombola Lagoa das Emas, que dividiram o palco com artistas de diferentes regiões do país, fortalecendo o compromisso da Ópera com a valorização da identidade local, a formação cultural e a inclusão por meio da arte.
A edição também entrou para a história ao reunir, pela primeira vez, quatro artistas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro — dois bailarinos e dois cantores líricos — em sua montagem. A participação representa um feito inédito para o Theatro Municipal em mais de 117 anos de história, simbolizando a aproximação entre uma das mais tradicionais instituições culturais brasileiras e um dos mais singulares palcos a céu aberto do mundo.
Nos bastidores, a grandiosidade do espetáculo também se refletiu na operação. Mais de 300 profissionais estiveram envolvidos, direta e indiretamente, reunindo equipes de produção, cenografia, iluminação, sonorização, figurino, caracterização, audiovisual, logística, segurança, atendimento ao público, técnicos e artistas.
Diretora-geral e idealizadora do evento, Sádia Castro destaca que encerrar mais uma edição da Ópera é renovar um compromisso com a memória dos ancestrais e com a força criadora da natureza que nos acolhe. “A Caatinga não é apenas o cenário deste espetáculo; ela é protagonista, inspiração e guardiã de uma história que começou há milhares de anos, quando os primeiros habitantes deste território deixaram aqui os registros da humanidade”.
Sadia acrescenta que cada artista, profissional e pessoa que esteve no festival ajudou a transformar esse Patrimônio da Unesco em uma grande celebração da vida, da cultura e do pertencimento. “A Serra nos ensina que o tempo não apaga as histórias, ele as preserva para que possamos continuar contando-as por meio da arte. É essa reverência aos nossos ancestrais e a esse lugar único no mundo que seguirá guiando a Ópera em suas próximas edições" celebra a diretora.
Próxima parada
Antes mesmo de apagar as luzes da edição 2026, a Ópera da Serra da Capivara já tem um caminho definido para o próximo ano: o tema do Ato principal de 2027 será "As 1001 Noites no Sertão". “A montagem será uma celebração da imaginação humana e da tradição de contar histórias, propondo um encontro entre diferentes culturas, tempos e territórios, tendo a Serra da Capivara como ponto de partida e de chegada dessa travessia”, conta Felipe Guerra, diretor-artístico do evento.
Inspirado na estrutura narrativa de As Mil e Uma Noites, o espetáculo conduzirá o público por uma jornada em que a oralidade, a memória e a ancestralidade se unem às pinturas rupestres, aos mitos, às lendas e às diversas formas de comunicação que marcaram a história da humanidade. No centro desta narrativa estarão os saberes ancestrais e as histórias que aproximam o sertão do mundo.
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Fonte: Cidade Verde
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