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Filme gravado em Guaribas PI entra na disputa para representar o Brasil no Oscar

A produção, dirigida por Eliza Capai, acompanha meninas do município e transforma histórias de infância, sonhos e desigualdades em uma narrativa sobre liberdade e futuro.

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O documentário “A Fabulosa Máquina do Tempo”, gravado em Guaribas, no Sul do Piauí, está entre os 15 filmes inscritos pela Academia Brasileira de Cinema para disputar a vaga de representante do Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar 2027. A produção, dirigida por Eliza Capai, acompanha meninas do município e transforma histórias de infância, sonhos e desigualdades em uma narrativa sobre liberdade e futuro.

O longa está na disputa após conquistar prêmios em festivais nacionais e circular por eventos internacionais. Entre os reconhecimentos estão quatro troféus no Cine PE, incluindo Melhor Direção, Melhor Trilha Sonora e Melhor Atriz, prêmio concedido coletivamente às jovens protagonistas. Na Mostra Ecofalante, em São Paulo, o filme foi escolhido como Melhor Longa-Metragem pelo voto popular e recebeu ainda uma Menção Honrosa.

A trajetória internacional também inclui a estreia no Festival de Berlim, na Alemanha, e a seleção para o Festival Internacional de Cinema de Xangai, na China.

“A Fabulosa Máquina do Tempo” nasceu de uma relação de mais de uma década entre Eliza Capai e Guaribas. A diretora chegou ao município em 2013, depois de conhecer relatos sobre os impactos da pobreza e das políticas sociais na vida das mulheres da região.

Anos depois, decidiu retornar para acompanhar uma nova geração de meninas, que crescia em uma realidade diferente daquela vivida por suas mães e avós. A pesquisa iniciada em 2021 resultou em uma oficina de audiovisual com 15 meninas entre 7 e 12 anos.

A partir das conversas e brincadeiras, o grupo passou a construir cenas relacionadas a temas como desigualdade, machismo, religião, casamento, futuro e liberdade.

Para Eliza, o resultado foi além do que ela imaginava quando iniciou o projeto.

“São meninas muito criativas, muito engraçadas, muito ousadas. Elas trouxeram um frescor para a narrativa. O filme fala da saída da miséria, mas também do direito de sonhar”, afirmou a diretora.

A proposta também estabelece um contraste entre as experiências de diferentes gerações. Segundo Eliza, quando esteve pela primeira vez em Guaribas, ouviu mulheres que relatavam uma infância marcada pela falta de perspectivas, enquanto as crianças já falavam sobre profissões e sonhos próprios.

Do Piauí para festivais internacionais

A estreia internacional do documentário ocorreu em Berlim. Três das meninas protagonistas viajaram pela primeira vez para fora do Brasil e também entraram pela primeira vez em uma sala de cinema.

A diretora contou que a sessão reuniu mais de mil pessoas e foi marcada por risadas e aplausos.

“Foi muito emocionante porque elas puderam ver como o mundo as enxerga: inteligentes, carismáticas e maravilhosas”, relatou Eliza.

Depois da passagem pela Alemanha, o filme seguiu para outros festivais e chegou à China. A seleção para Xangai teve um significado especial para a equipe, principalmente porque uma das protagonistas, Tábata, havia contado durante uma conversa que sonhava em abrir uma loja de doces justamente no país asiático.

“O Festival de Xangai é um dos maiores do mundo, um festival classe A. É uma honra muito grande levar essas histórias tão longe. E eles vão adorar a Tábata”, brincou a diretora.

Filme pode representar o Brasil no Oscar

Agora, o documentário volta os olhos para uma disputa ainda maior. “A Fabulosa Máquina do Tempo” está entre os 15 títulos inscritos pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil no Oscar 2027.

A seleção ocorrerá em duas etapas. Em 9 de setembro, uma comissão formada por 15 integrantes escolherá seis filmes para a pré-lista. No dia 16 de setembro, será definido o título que representará o Brasil na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional.

Independentemente do resultado, a trajetória do filme já levou as histórias de Guaribas para além das fronteiras do Piauí. Para Eliza, porém, a relação com o estado continua sendo parte essencial da produção.

 “O Piauí é a casa do filme”, afirmou Eliza.

Depois do circuito comercial, a equipe pretende disponibilizar o documentário gratuitamente para exibições coletivas em escolas, cineclubes, associações e comunidades, especialmente em municípios que não possuem salas de cinema.

Em Guaribas, uma exibição pública do filme já reuniu mais de 600 pessoas na praça central, em uma cidade com cerca de 4 mil habitantes. Segundo Eliza, foi a primeira vez que houve uma sessão de cinema no município, e a experiência terminou com as famílias discutindo o filme.

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Fonte: Izabella Lima/Portal Cidade Verde

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