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Trend dos anos 80 pode deixar usuário exposto a golpes

O resultado costuma ser divertido e inofensivo. Especialistas ouvidos pelo SBT News alertam para o que acontece com a imagem depois que ela é enviada.

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 Foto: Reprodução/Redes sociais

Uma brincadeira que tomou conta das redes sociais nos últimos dias também levanta um alerta sobre os riscos do uso da inteligência artificial. A trend “como eu seria nos anos 80” fez milhares de pessoas enviarem fotos próprias para ferramentas de IA, que transformam os registros com roupas, cenários e características inspiradas na década.

O resultado costuma ser divertido e inofensivo. Especialistas ouvidos pelo SBT News alertam para o que acontece com a imagem depois que ela é enviada.

Segundo Eliney Sabino, coordenador dos Cursos de Tecnologia da UnifacenS e especialista em inteligência artificial, o usuário não entrega apenas uma fotografia ao utilizar esse tipo de ferramenta. “Quando uma pessoa envia uma foto para uma ferramenta de inteligência artificial, ela não está entregando apenas uma imagem.”

"Dependendo do serviço utilizado, o arquivo é enviado para servidores da empresa e pode ser processado, armazenado temporariamente, incluído em registros de segurança ou mantido por um período definido na política de privacidade", diz.

Por isso, Sabino recomenda verificar as regras da plataforma antes de enviar uma imagem, principalmente sobre armazenamento, uso para treinamento e compartilhamento com terceiros.

Uma foto pode virar ferramenta para golpes

Além da privacidade, uma fotografia pode revelar muito mais informações do que parece. A IA consegue analisar rostos, expressões, objetos, textos, crachás, placas, uniformes e elementos do ambiente. O próprio arquivo também pode conter metadados, como data, horário e modelo do aparelho.

“Uma foto pode mostrar onde a pessoa mora ou trabalha, qual escola uma criança frequenta ou quais bens existem dentro de uma residência”, explica Sabino.

O risco aumenta quando a imagem é combinada com informações disponíveis nas redes sociais. Uma fotografia de boa qualidade também pode ser utilizada para criar imagens e vídeos falsos, os chamados deepfakes.

Segundo o especialista, essas falsificações podem ser usadas para espalhar informações falsas, prejudicar reputações, criar perfis falsos, aplicar golpes e produzir conteúdo íntimo sem autorização.

“Um criminoso pode reunir esses dados para criar uma identidade falsa muito mais convincente”, afirma.

Dados pessoais podem vazar

O professor Luiz Guilherme Zainaghi, advogado e docente da Faculdade do Comércio da Associação Comercial de São Paulo, chama atenção para os termos de uso das plataformas.

Segundo ele, é comum que esses documentos prevejam formas de utilização das informações fornecidas pelos usuários. Ao enviar uma foto para participar de uma trend, portanto, a pessoa pode estar permitindo que a empresa tenha acesso àquela imagem, conforme as regras do serviço.

“Se tiver algum vazamento, os hackers podem usar essas imagens, informações obtidas para aplicar golpes.”

O problema não se limita às ferramentas de IA. Redes sociais e outros serviços digitais também concentram grandes quantidades de dados pessoais.

“A chance é razoavelmente baixa, mas o risco existe”, afirma.

O advogado ressalta que o cuidado deve ser ainda maior quando estão envolvidos dados sensíveis, como informações médicas, financeiras ou profissionais.

IA também pode levar ao erro

Para Einar Rivero, CEO da Elos Ayta, a inteligência artificial é uma ferramenta poderosa, mas seu resultado depende da maneira como é utilizada.

“A IA, sem dúvidas, é uma coisa fantástica”, afirma.

Ele destaca que a tecnologia pode gerar ganhos importantes, inclusive em áreas como investimentos. Mas é preciso ter conhecimento sobre o assunto para fazer as perguntas certas.

Segundo Rivero, confiar na ferramenta sem dominar minimamente o tema pode levar a decisões equivocadas.

“É aquilo de um copo meio cheio e meio vazio. A inteligência artificial pode te ajudar ou te levar ao fundo do poço", finzaliza.

Como se proteger?

Os especialistas não recomendam deixar de usar inteligência artificial, mas adotar alguns cuidados. Antes de enviar uma foto, é importante verificar a política de privacidade da plataforma e evitar imagens que mostrem documentos, crachás, endereços, crianças ou informações íntimas.

Também é recomendável pensar no que aquela fotografia poderia revelar caso saísse do controle do usuário.

Para Sabino, a regra é simples: "se a divulgação da imagem puder causar constrangimento, prejuízo ou colocar alguém em risco, o mais seguro é não enviá-la."

A trend dos anos 80 pode ser apenas uma brincadeira, mas também serve como lembrete de que, na era da inteligência artificial, uma foto pode valer muito mais do que parece.

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Fonte: SBT News

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