Um levantamento divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), nesta quarta-feira (4), aponta que 178 dos 224 municípios do Piauí possuem pelo menos uma obra ou empreendimento vinculado ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O número representa 79% das cidades piauienses. Apesar da abrangência do programa, apenas 20% das iniciativas municipais analisadas em todo o Brasil foram concluídas.
Segundo o estudo, 46 municípios piauienses não aparecem entre os contemplados com empreendimentos sob execução municipal. O levantamento considera projetos em diferentes etapas, desde ações preparatórias e licitações até obras em execução ou concluídas.
O percentual de cobertura do Piauí está acima da média nacional de 72%, mas abaixo da média do Nordeste, que alcança 87% dos municípios. Na região, 1.564 das 1.793 cidades possuem pelo menos uma iniciativa vinculada ao programa.
A pesquisa foi elaborada com base em informações da Casa Civil, atualizadas até 29 de outubro de 2026. O documento não apresenta a quantidade específica de obras concluídas no Piauí, mas permite identificar a abrangência territorial dos investimentos no estado.
Execução das obras
Em todo o país, a CNM analisou 13.804 obras e instrumentos sob responsabilidade municipal. Desse total, 2.754 foram concluídos, o equivalente a 20%. Outros 6.918 empreendimentos, correspondentes a 50%, estão em execução.
O levantamento identificou ainda 2.003 iniciativas em ações preparatórias e 2.129 em fase de licitação ou leilão. Juntas, essas etapas representam 30% dos projetos monitorados.
A educação concentra o maior número de empreendimentos, com 7.202 iniciativas e investimentos estimados em R$ 20,4 bilhões. Na saúde, são 4.458 projetos, com previsão de R$ 11,6 bilhões.
Os maiores obstáculos estão relacionados às obras de infraestrutura urbana, saneamento, abastecimento de água, habitação e prevenção de desastres. Segundo a CNM, esses setores enfrentam dificuldades envolvendo licenciamento ambiental, regularização fundiária, desapropriações e processos licitatórios.
O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, afirmou que o principal desafio é transformar os investimentos anunciados em serviços efetivamente entregues à população.
“O principal desafio está na capacidade de transformar os recursos previstos em obras concluídas e serviços públicos efetivamente disponibilizados à população. Os dados evidenciam que uma parcela significativa dos investimentos depende da conclusão de etapas administrativas e técnicas para que as obras sejam efetivamente iniciadas”, destacou.
O estudo também aponta problemas na transparência e no acompanhamento dos investimentos. O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou limitações nas informações disponíveis sobre a execução física e financeira das obras e determinou melhorias no portal do Novo PAC.
A CNM defende maior integração dos dados, apoio técnico às prefeituras e simplificação dos procedimentos para acelerar a conclusão dos empreendimentos.
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Fonte: Tarcio Cruz
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