A Polícia Civil do Piauí interditou na manhã desta quinta-feira (29), uma empresa suspeita de aplicar golpes por meio da venda de falsas cartas de crédito e cumpriu dois mandados de busca e apreensão, sendo um na residência de um funcionário e outro em uma das sedes da empresa, localizada em Timon (MA).
Ao todo, mais de 143 vítimas registraram boletins contra a empresa em todo o estado. Dois empresários apontados como responsáveis pelo esquema estão presos desde o ano passado.
De acordo com as investigações, a empresa atuava principalmente no Centro de Teresina, onde oferecia cartas de crédito supostamente já contempladas. Para liberar os valores, as vítimas eram induzidas a pagar uma entrada, geralmente via Pix. Após o pagamento, a promessa de contemplação não era cumprida.
O delegado Sérgio Alencar, da 1ª Delegacia Seccional de Teresina, explicou o modo de atuação do grupo criminoso.
“O golpe consistia na venda de falsas cartas de crédito. Eles prometiam a contemplação mediante o pagamento de uma entrada, mas, quando chegava o prazo, o valor não era liberado. Foram inúmeras denúncias registradas com essa mesma prática”, afirmou.
Segundo a Polícia Civil, já foram registrados 143 boletins de ocorrência relatando o golpe. Os prejuízos variam conforme o valor prometido nas cartas. “Temos vítimas que perderam R$ 5 mil, R$ 10 mil, R$ 30 mil, R$ 40 mil e até R$ 50 mil. São empresas que causaram enormes prejuízos à população”, destacou.
Durante a ação, computadores e valores em dinheiro foram apreendidos. A empresa teve a sede lacrada e as atividades suspensas por decisão judicial. O delegado ressaltou ainda que as investigações vão além das prisões.
“Hoje, o delegado não atua apenas investigando crimes. Também representamos pelo bloqueio de bens, sequestro de valores e pela suspensão das atividades econômicas de empresas que atuam de forma ilegal”, completou.
Vítima perdeu R$ 10 mil reais
Uma das vítimas, que preferiu não se identificar, relatou como foi enganada pelo esquema.
“Recebi uma ligação dizendo que tinha sido contemplada com uma carta de crédito. Quando cheguei à empresa, me pediram R$ 10 mil de entrada e garantiram que, em 30 dias, eu receberia o valor. Isso nunca aconteceu”, contou.
Ela afirmou que, após sucessivos adiamentos, decidiu desistir do negócio e pedir o dinheiro de volta, mas não conseguiu mais contato. “Quando pedi o dinheiro de volta, eles começaram a desconversar e depois não atendiam mais. Só procurei a polícia quando vi na televisão a prisão do empresário que tinha tratado tudo comigo”, disse.

O advogado Leandro Sousa, que representa a da vítima, afirmou que o caso envolve um grande número de pessoas lesadas em todo o Piauí.
“Trata-se de uma situação em que a vítima foi enganada por uma empresa que prometeu uma carta de crédito contemplada no valor de R$ 130 mil, exigindo um Pix de R$ 10 mil. O valor prometido nunca foi depositado”, explicou.
Segundo o advogado, a vítima só decidiu formalizar a denúncia após reconhecer um dos envolvidos em reportagens jornalísticas.
“Ela resolveu denunciar quando tomou conhecimento, pela televisão, da prisão do empresário. Agora estamos adotando as medidas criminais e também ingressando com ação cível para a restituição dos valores e indenização por danos morais”, afirmou.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam e que outras empresas suspeitas de aplicar golpes semelhantes seguem sendo apuradas. Novas prisões não estão descartadas.
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Fonte: Rayane Venancio/ Portal Cidade Verde
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